quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

 

Destino

 

I

 

O que deveria ser

Vastidão verde

É sempre tão desértico

Como a tarde.

E em sua eterna presença

Mal o sol brilha.

A noite tudo enegrece;

Mal que a alma padece.

Não tem cura,

Nunca haverá salvação!

Vai, andarilho,

Percorrer estradas sem fim.

Amanhã não haverá ida,

E o olhar perdido

Manchar-se-á

De nuvens e trovões.

É Antônio Dias que desaparece

Da memória e fotografias.

 

Para quem nasceu

Burro de carga,

Assis morrerá.

A porta para a felicidade

Nunca abrirá.

 

II

 

A vida não me mostrará

Outros caminhos

Pelos quais trilhar,

Diferentes horizontes.

Fico a mirar,

Mas nunca sei

Como lá chegar.

 

O meu viver se exilou

Numa terra de espinhos.

Prisão difícil de escapar.

Como seguir em frente

Se nunca sei onde pisar?

Mesmo sem fé, pelos cais, orei.

Nem deus pôde me orientar.

 

A vida não quer entregar

O direito de viver e de sonhar.

 

 

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