Destino
I
O que deveria ser
Vastidão verde
É sempre tão desértico
Como a tarde.
E em sua eterna presença
Mal o sol brilha.
A noite tudo enegrece;
Mal que a alma padece.
Não tem cura,
Nunca haverá salvação!
Vai, andarilho,
Percorrer estradas sem
fim.
Amanhã não haverá ida,
E o olhar perdido
Manchar-se-á
De nuvens e trovões.
É Antônio Dias que
desaparece
Da memória e fotografias.
Para quem nasceu
Burro de carga,
Assis morrerá.
A porta para a felicidade
Nunca abrirá.
II
A vida não me mostrará
Outros caminhos
Pelos quais trilhar,
Diferentes horizontes.
Fico a mirar,
Mas nunca sei
Como lá chegar.
O meu viver se exilou
Numa terra de espinhos.
Prisão difícil de escapar.
Como seguir em frente
Se nunca sei onde pisar?
Mesmo sem fé, pelos cais,
orei.
Nem deus pôde me orientar.
A vida não quer entregar
O direito de viver e de
sonhar.
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